Psicologia Positiva e Mindfulness

A psicologia positiva é entendida como “o estudo científico sobre o que faz com que a vida valha a pena ser vivida” (Peterson, 2006). A amplitude desta definição leva-nos a entender a psicologia positiva como um termo abrangente e integrador de múltiplas áreas de estudo e pesquisa da conduta humana , no que se refere ao bem-estar e funcionamento ótimo, tanto individual como coletivo. (Sheldon, Fredrickson, Rathunde, Csikszentmihalyi e Haidt,2000).

A psicologia positiva interessa-se por temas variados sobre a felicidade e bem-estar subjetivo, emoções positivas e inteligência emocional, otimismo e esperança, resiliência e crescimento pós-traumático, condutas saldáveis como mindfulness ou exercício físico, gestão positiva do tempo, forças pessoais, desfrute, humor, capacidade de fluir ou manter o fluxo de consciência, gratidão, o sentido da vida, crescimento pessoal, a conquista de objetivos e metas, o envelhecer positivo e o morrer positivo, entre outros (Grenville-Cleave, 2012).

Qual a contribuição de Mindfulness à Psicologia Positiva?

A psicologia positiva entende mindfulness como uma prática saudável adicional, que pode ser útil para crescer como pessoa (Hefferon e Boniwell,2011). Diversas autoridades da psicologia positiva propõem a prática da atenção plena como uma ferramenta útil para o aumento do bem-estar.

A prática constante de mindfulness pode levar ao desenvolvimento de vários traços ou estados mentais associados a psicologia positiva (Niemec, Rashid e Spinella, 2012). Muitos destes traços ou estados mentais positivos enquadram-se na teoria do bem-estar de Seligman (2011) exposta acima.

As práticas de mindfulness oferece uma oportunidade de florescer, autorrealizar-se e crescer como pessoa e comunidade.

Emoções positivas e Mindfulness: Quando a atenção plena nos faz florescer

Atualmente há evidências que a prática de mindfulness gera nas pessoas emoções positivas de diversas naturezas (Easterlin e Cardena, 1998; Geschwind, Peeters, Drukker, Van Os, e Wichers, 2011).

Seguindo a classificação de Barbara Fredrickson (2009) sobre as dez emoções positivas mais representativas, poderíamos dizer que grande parte delas pode ser geradas pelas práticas de mindfulness. Talvez as mais evidentes sejam a alegria (Kraus e Sears, 2009), a serenidade (Kreitzer, Gross, On-anong, Reilly-Spong e Byrd,2009) e o amor (Hofman, Grossman e Hinton, 2011). Sobre este último, a própria Fredrickson e outros pesquisadores realizaram estudos com a meditação de bondade amorosa em contextos bem variados.

Embora possam se expressar de forma mais sutil, existem outros tipos de emoções positivas que também podem ser desenvolvidas de maneira indireta com a prática de mindfulness. Neste grupo estão a gratidão, o interesse e a absorção.

Quando a prática de mindfulness integra-se a vida, costumam surgir também o interesse e a curiosidade por eventos privados (pensamentos, emoções e sensações corporais). Uma vez integrada tanto a prática formal como a informal, o praticante de mindfulness está pronto para se converter em um mapeador dos processos físicos e mentais que ocorrem na experiência, observando com interesse e curiosidade como os fenômenos se sucedem e dando espaço ao que Shunryu Suzuki (1970) denominou “mente de principiante”.

Forças pessoais e mindfulness: Desenvolvendo o melhor de cada pessoa

Forças pessoais são capacidade cognitivas, afetivas, volitivas e de conduta consideradas ingredientes psicológicos necessários ao desenvolvimento das virtudes humanas (Niemiec, 2014).

É possível fazer uma aproximação entre mindfulness e as forças pessoais a partir de duas vertentes:

  • – Pode-se entender mindfulness como um elemento chave e essencial no momento de detectar, diagnosticar, implementar e desenvolver forças pessoais.
  • – Pode-se conceber que a prática de mindfulness já supõe um desenvolvimento implícito, sutil e gradativo de várias forças pessoais.

Alguns exemplos de aumento das forças pessoais com as práticas de mindfulness são os trabalhos de Dobkin e Zhao (2011) com a coragem, o de Hefner e Felver-Gant (2005) com a honestidade, o de Reibel (Reibel, Freeson, Brainard e Rosenzweig, 2001) com a vitalidade, o de Kashdan (Kashdan et al.,2011) com a curiosidade, o de Masicampo e Baumeister (2007) com a autorregulação, e o de Sears e Kraus (2009) com a esperança.

Considerações Finais

Ao tentar compreender os movimentos de mindfulness e a psicologia positiva a partir de uma evolução em espiral do desenvolvimento (Beck, 1996), poderíamos entender que o que estamos vivendo seria um retorno ao movimento do potencial humano e ao crescimento pessoal (Seligman, 2011), desta vez revestido de métodos científicos eficazes.

Existem cada vez mais evidencias que nos fazem ver que a aplicação conjunta da psicologia positiva e mindfulness tem a capacidade de potenciar o aumento do bem-estar, tanto subjetivo quanto comunitário, podendo conduzir o praticante a uma espiral ascendente de florescimento e crescimento pessoal.

Resenha da Bibliografia abaixo como tarefa do curso de especialização em Mindfulness – UNIFESP

Mindfulness e ciência: da tradição à modernidade / Ausiàs Cebolla i Martí, Javier García-Campayo, Marcelo Demarzo, (organizadores; tradução de Denise Sanematsu Kato. – São Paulo : Palas Athenas, 2016.

Marcio Alves Belo
Marcio Alves Belo
Instrutor em Mindfulness pelo Centro Brasileiro de Mindfulness – Mente Aberta Especialista em Mindfulness pela Unifesp – Universidade Federal de São Paulo Certificado em Psicologia Positiva pelo Centro Sofia Bauer